quinta-feira, novembro 27, 2008

JÁ SINTO O CHEIRO DO PERU!!!!!


Nos supermercados o apelo ao consumo se intensifica....

Donas de casa trocam receitas...............

Promessas de felicidade....perdão.....boas ações já começam a fazer parte das despedidas que também já começaram.......

Vamos entrar no clima então!!!!!

sábado, novembro 22, 2008

ELE.....O ETERNO....FERNANDO......


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, 1-7-1916

sábado, novembro 15, 2008

NERUDA


Para o meu coração basta o teu peito

para a tua liberdade as minhas asas.

Da minha boca chegará até ao céu

o que dormia sobre a minha alma.

És em ti a ilusão de cada dia.

Como o orvalho tu chegas às corolas.

Minas o horizonte com a tua ausência.

Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando

como os pinheiros e como os mastros.

Como eles tu és alta e taciturna.

E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.

Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.Eu acordei e às vezes emigram e fogem

pássaros que dormiam na tua alma .

quarta-feira, novembro 12, 2008

JÁ TÔ ESCUTANDO O NATAL.....


É chegado o tempo de

Multiplicar Amor.

Que nossas mãos possam ser portadoras de paz..

De afagos..De carinho...

Que escorra delas os mais límpidos sentimentos..de bálsamos..de alívio..de força..de luz...

Que possam ser espraiados na terra árida..fazendo germinar o amor entre as pessoas..

Multiplicando cada melhor essência de nós..

Fazendo-nos fortes ao meio à tempestade..

Deixando-nos ver o sol que nasce..

Que rompe a noite..

Que se faz dia..Que se faz belo..Que se faz vida!

Que se chama amor...
(Jane Lagares)

sexta-feira, novembro 07, 2008

ESCUTATÓRIA




Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir.Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro:"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".

Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.(Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.).

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais.São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".

Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

quarta-feira, novembro 05, 2008

A VITÓRIA DO TEMPO.




"A depuração das memórias e o uso constante da mente e do corpo são a melhor terapia para combater doenças degenerativas do envelhecimento."
Sidarta Ribeiro


Poucas coisas são mais deploradas na cultura ocidental quanto o envelhecimento, sinônimo de fragilidade física e decadência mental. De fato, as grandes mudanças corporais que a idade traz são muitas vezes seguidas por doenças
neurodegenerativas que terminam por conduzir à demência.
Uma delas, o mal de Alzheimer, se caracteriza pelo acúmulo cerebral de neurofibrilas e placas compostas por proteínas tau e peptídeos beta-amilóides, respectivamente.
A imunização contra peptídeos beta-amilóides é uma das possibilidades de cura para essa doença (Monsonego e Weiner, 2003, Science 302: 834-838). Mais recentemente, experimentos com camundongos transgênicos demonstraram que os déficits de memória que acompanham a excessiva produção de proteína tau podem ser revertidos pela interrupção da sua síntese (Santacruz et al., 2005, Science 309: 476-481). Boas notícias chegam ainda de estudos sobre os hábitos de gêmeos idosos nos quais apenas um dos indivíduos apresenta demência; os resultados indicam que a intensa atividade intelectual retarda o aparecimento do Alzheimer (Crowe et al., 2003, J. Gerontol. Psychol. Sci. 58B: 249-255), reforçando a idéia de que o uso constante da mente e do corpo é a melhor terapia contra a erosão do tempo.No entanto, mesmo superadas as patologias, o idoso parece fadado a se deparar com limites inflexíveis. Dizia Luiz Fernando Gouvêa Labouriau (1921-1996), primeiro bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e motor crucial da fisiologia vegetal no Brasil, que com o passar do tempo seu cérebro (poderoso, diga-se de passagem) parecia haver chegado ao limite de sua capacidade de armazenamento: para aprender o nome de um aluno novo, necessitava esquecer o nome científico de alguma planta. A brincadeira, proferida em tom sereno, expressava um leve inconformismo com o horizonte intelectual humano. Por ser um sistema finito, o cérebro possui um máximo de estocagem mnemônica, mesmo naqueles que escolhem exercitá-lo por toda a vida.Mas se até o idoso mais sadio precisa contentar-se com a substituição de suas representações cognitivas em lugar da expansão mental fácil da juventude, que vantagem, utilidade ou beleza há na velhice? A resposta a esta pergunta importante encontra-se justamente na receptividade que Labouriau dedicava aos estudantes de todas as idades. Diante do dilema, Labouriau optava por se desprender da memória querida - o nome de uma planta - para cuidar da germinação de mais um jovem cientista em potencial. O investimento do mestre era a fundo perdido, mas para ele a chance de sucesso bastava. A troca de nomes sempre valeu a pena, pois fertilizava o mundo.

Eis aqui a chave do enigma: a grande, incalculável riqueza do envelhecer é a depuração extrema dos pensamentos e atos. Não apenas carregar mais memórias, e sim memórias melhores. Por ser uma propriedade do tecido nervoso, essa depuração pode ocorrer em representações mentais de qualquer tipo, em qualquer ofício humano, a despeito do enfraquecimento de músculos e ossos. Quem duvidar que observe o jogo fabuloso dos legendários João Grande e João Pequeno, mais antigos e respeitados mestres da capoeira de Angola ainda em atividade, praticantes há quase 60 anos da fina arte de mestre Pastinha. Homens idosos e brilhantes que facilmente derrotam qualquer jogador mais novo, por mais robusto que este seja, com o supra-sumo da arte de se mover.Daí o profundo valor atribuído aos velhos sábios em tantas culturas do mundo. As melhores árvores espalham fortes sementes. Cabe a estas vingar.


MENTE E CÉREBRO

terça-feira, novembro 04, 2008

vivências.....


Dentro das minhas malas eu carrego muitas coisas... Vivências acumuladas por muitas e muitas jornadas, por trilhas,atalhos, escolhas.Algumas delas erradas. Tantas dúvidas e incertezas, Quantascoisas guardadas.Carrego o suor das amantes, o encanto, a paixão e a poesia, o sentimento não compartilhado, muitas histórias não terminadas, a dor de um amor sofrido.Carrego também a saudade de amigos, de entes queridos que em algum lugar do passado, seguiram por outros caminhos.Dentro das minhas malas eu carrego muitas coisas... A armadura, a cicatriz, o conflito.O guerreiro de olhar cansado, o andarilho em busca de abrigo,o nobre, o juiz, o bandido, o feiticeiro, o anjo, o bandido.Dentro das minhas malas muitas coisas pesadas. A aflição, o medo, a espera, o arrependimento, a culpa, o pecado, aobrigação de desfazer o mal feito e desta feita, fazer direito.A obrigação de reconstruir os meus templos profanados pela ação do tempo.Dentro das minhas malas eu carrego muita esperança. Carrego o ingênuo, o sonhador, a criança, a certeza de reencontrar o inimigo e fazer dele um novo amigo.Carrego o santo, o mago, o diabo, um sorriso para ser ofertado, o carinho do ser apaixonado que muitas vezes adormece cansado, mas amanhece sempre renovado, e vai embusca de uma nova morada !!!
( não sou autora desse texto.....mas bem que gostaria de ser!!!!!)

domingo, novembro 02, 2008

aniversários.................


Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de
inutilidade, de vazio...
Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido.

Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano.

- Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero. Estamos, a partir de então, por nossa conta.
Sozinhos. Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói...

E continuamos a perder... e seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas por que alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cair...

E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por que? Perguntamos a todos e sobre tudo...
Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás...

Estamos crescendo.
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer, renascer...

Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo,
quando algo nos é tomado contra a vontade.
Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo que nos passa pela cabeça
sem medo de causar melindres.

Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.
Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho,
ou puxar as pelanquinhas do braço da vovó, com a maior naturalidade do mundo
e ainda falar bem alto sobre o assunto.
Estamos crescidos e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros.

E aprendemos...
E vamos adolescendo... ganhamos peso, ganhamos seios, ganhamos pelos,
ganhamos altura... ganhamos o mundo.
Neste ponto, vivemos em grande conflito.

O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos... ah! os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos.
Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.
Aí de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo... todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais?
A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado? (???)
E continuamos amadurecendo... ganhamos (compramos) um carro novo,
um(a) companheiro(a), ganhamos um diploma.
E regradamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, de tomar banho de chuva, lamber os dedos .......Mas perdemos peso!!!

Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamo-lhe aquele beijo estalado...
Mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos,
ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento,
honrarias, títulos, honorários e a chave da cidade...

E assim, vamos ganhando tempo... enquanto envelhecemos.
De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas),
ganhamos celulite, estrias, peso... e perdemos cabelos.
Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos,
deixamos de sorrir... perdemos a esperança.

Estamos envelhecendo.
Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo...
Será que haverá renascimento, para quem desiste? Haverá um renascer, para aquele que se faz em vida, pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte,
mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando,
que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede...

Que a gente cresça e não envelheça simplesmente...
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie...
Que tenhamos rugas e que elas nos tragam boas recordações...
Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia...
Que sejamos racionais, mas também emocionais, que lutemos por nossos sonhos...
Pois os sonhos são como Deus, como a Fé, se não acreditarmos, ele não se fará presente...
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo,
mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos,
sintam-se amados mais do que saibam-se amados.
Afinal, o que é o tempo?

Todos os dias, Deus nos dá um momento em que é possível, mudar tudo
o que nos deixa infelizes!
O instante mágico, é o momento em que um "sim" ou um "não" podem mudar
toda nossa existência!

Aproveite seu instante mágico!!!
...Tudo depende do modo com que você encara os fatos...