sábado, novembro 15, 2008

NERUDA


Para o meu coração basta o teu peito

para a tua liberdade as minhas asas.

Da minha boca chegará até ao céu

o que dormia sobre a minha alma.

És em ti a ilusão de cada dia.

Como o orvalho tu chegas às corolas.

Minas o horizonte com a tua ausência.

Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando

como os pinheiros e como os mastros.

Como eles tu és alta e taciturna.

E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.

Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.Eu acordei e às vezes emigram e fogem

pássaros que dormiam na tua alma .

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